Depois de tanto tempo trabalhando quase que exclusivamente na elaboração do Tokyotopia, acabei deixando alguns animes muito bons passarem por mim. Agora, estou retomando-os, e farei isso com vocês. Começo hoje com este anime do noitanimA, que realmente mostra o porquê deste nome ser tão interessante e o porquê de eu ter gravado na memória como sinônimo de qualidade. Vamos falar de The Promised Neverland?

O mundo, os monstros e a “vovó”

Bem, se vou fazer uma análise sobre a primeira temporada de The Promised Neverland, nada melhor do que começar pelo mundo onde a história é ambientada. Não se sabe muito sobre ele, pois o ponto de virada da história, onde os humanos tornaram-se ferramentas para obter alimento dos monstros, aconteceu trinta anos antes da história do anime começar. Porém, percebe-se que ele não é mais propício para os humanos: Há monstros em toda parte, e parecem ter formado sua própria sociedade, neste processo.

Aliás, monstros estes que dão medo. Apelidado pela Emma como “demônios”, são seres aparentemente mais fortes que os humanos, já que ele os subjugaram e os tornaram gado. As suas aparências não são das melhores, mas logo de cara me lembrou o bondoso Elias, de Mahoutsukai no Yome. Apesar de o Elias ser um cara que você consegue passar a adorar, estes monstros estão muito longe disso.

O cenário principal dessa história são as fazendas. Estes lugares que os monstros criaram foram projetadas para manter as crianças distraídas de sua realidade, crescendo como se tudo estivesse normal – os seus tristes finais só são conhecidos depois que ultrapassam o portão que isola a fazenda do “mundo real”. O que me impressiona, é a forma como as fazendas são tocadas, pela figura das mamães e figura da misteriosa “vovó”.

A "Vovó"
Eis a “vovó”

E aqui começou uma das minhas grandes dúvidas sobre este mundo. A vovó é uma mulher mais velha do que aparenta ser a maioria das “mamães” das fazendas e dá ordens para as respectivas líderes de cada fazenda. Quem é ela? Não sabemos. Como ela chegou até aquele posto? Não sabemos. Como sua relação com os monstros fora construída? Isso também ainda não sabemos. Tudo o que resta sobre ela, por agora, é que ela pode ser o pior ser humano da face daquela terra.

As mamães

E aqui começou a parte mais desprezível da história. A figura da mamãe, aparentam ser gado que conseguem a confiança das mamães anteriores, e assim alimentam um ciclo. Aliás, o anime dá a entender que várias meninas são selecionadas para o que parece ser um “treinamento”. Mas, o anime diz que naquela área não existem tantas fazendas assim. O que me deixa pensativo: O que aconteceu com aquelas meninas? Se tornaram apenas gado? Tornaram-se reprodutoras?

Uma coisa que eu pude fazer uma ligação rasa, é que o papel essas meninas é parecido com o que pode-se ser visto na série O Conto da Aia (Globoplay), onde em determinado momento elas são engravidadas – e estes bebês re-abastecem estes “orfanatos”. Porém, a história nos diz que apenas mulheres são selecionadas e conseguem fugir do triste fim. Logo, como foi feita a inseminação dessas mulheres? Outro ponto que a história ainda poderá explorar com mais profundidade, mais a frente.

Isabella
Isabella: Lobo em pele de cordeiro

O que podemos saber, é que estas mães são mulheres com algum tipo de problema mental, e que tiveram que abrir mão de alguma coisa que lhes faziam muito feliz. Mesmo Isabella, “mamãe” do orfanato do trio protagonista, tem revelado o seu passado – onde ela fez quase a mesma coisa que aquelas crianças estavam a fazer, naquele momento. Seria este um “ciclo do terror sem fim”, onde meninas que tentam fugir, mas que são recapturadas, e as que são inteligentes o bastante sem sua vida sugada, suas mentes corrompidas e passam a servir aos monstros na fase adulta? Muitas perguntas (mas é isso o que torna este anime tão bom!)

As crianças

As crianças são o ponto mais triste. No primeiro episódio, quando não sabemos o que exatamente está acontecendo, a cena de despedida de alguém que foi “adotado” é triste. Até um pouco emocionante, e os animadores e roteiristas ainda tomam liberdade para tornar este momento um pouco cômico, com as caras e caretas de Emma e as crianças menores.

Connie
Connie despedindo-se: É bonito, quando a gente vê. Mas quando descobre o que lhe aconteceu…

Com o passar do tempo, a mesma cena torna-se repulsiva, angustiante, triste, melancólica, ao mesmo tempo que as crianças pequenas continuam a se despedir do “irmão” que está indo embora, para uma nova família. A inocência das crianças dessa história é que tornam as coisas ainda mais difíceis de engolir. Descobrir toda a verdade é uma das coisas mais desesperadoras daquele mundo, e o trio protagonista sabe disso.

Emma, Norman e Ray

Norman, Ray e Emma
Norman, Ray e Emma

Cada um com sua peculiaridade, é uma delícia de ver o desenvolvimento dos personagens a cada dia que passa, a cada momento que algo novo acontece. Isso, enquanto eles tentam esconder de quem for possível, o que realmente está acontecendo naquele lugar. Um intenso jogo de tramoias que, felizmente, nunca fica ruim.

Os planos tramados por eles são excepcionais, principalmente frente ao aparente controle de Norman, frente a realidade que lhe foi revelada. Durante o tempo que eu via o anime, tive uma leve sensação de dejá-vu. Acabei me lembrando de Death Note, o primeiro anime que eu vi, e que também havia me prendido pela intensa trama de criação de planos, a frustração de alguns e realização de outros, que vinham a criar uma caça de gato e rato. Ambos os animes ganham neste ponto: Souberam trabalhar estes planos mirabolantes como peças-chave para o próximo passo da história, mas The Promised Neverland eleva o nível, tornando a história não só um mistério do que acontecerá depois da fazenda, mas também sobre como as crianças irão se comportar num mundo que não foi feito para elas.

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A história e a animação

Indo para um ponto mais técnico, a história é digna de nota. Tenho que ser franco, ainda não li nem uma página do mangá de Kaiu Shirai e Posuka Demisu, mas eu realmente o farei. Se o mangá for ainda melhor do que o anime foi, eu só terei motivos para amar ainda mais o trabalho que o estúdio CloverWorks fez nesta obra. O intenso jogo de acorbertamento dos planos de Emma, Norman e Ray, e os furtivos passos de Isabella em descobrir mais sobre o plano de fuga, nunca deixaram-me frustrado: Sempre foi apresentado um verdadeiro espetáculo.

Digam-me que este efeito de câmera não é maravilhoso nesta cena!

A animação dos episódios eram simplesmente maravilhosa. Alguns ângulos de câmera, comuns em filmes live-action para demonstrar apreensão frente a alguma coisa, não só foi bem usada no anime, como também ajudou a deixar a animação ainda mais bonita do que já era.

Considerações finais e nota

Por fim, tenho que dizer que foi ótimo ter maratonado The Promised Neverland. As seis horas que eu dediquei ao anime, acabaram por passar voando, sem que eu me desse conta disso. Isso poucos animes conseguem fazer. Com certeza, foi fruto de um esforço do estúdio em entregar, de fato, algo realmente bom. E conseguiu. E que venha a segunda temporada, no ano que vem!

Publicado por Henrique

Apaixonado por jornalismo desde a infância, apaixonado por animes desde a adolescência, sem rumo na vida desde sempre. Comecei minha vida de blogueiro, escrevendo sobre coisa séria, mesmo com 11 anos de idade. Mudei completamente, quando conheci minha primeira waifu.

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