Hoje, eu tomei a tarde para (re)ver 5 Centímetros por Segundo, e escrever sobre. Porém, enquanto eu procurava por um, acabei me deparando com “O Túmulo dos Vagalumes”. Esta obra do Studio Ghibli, então, tornou-se o foco do meu texto de hoje.

Já fazia um tempo que eu tinha visto este filme. Lembrava pouco de sua história no meio, mas tinhas fortes lembranças do quanto essa história me fez chorar. E hoje, eu acabei me lembrando o porquê.

Eu poderia tomar meu tempo para falar sobre técnicas de animação ou coisas do tipo, mas como já expliquei na página Sobre, eu não sou bom nisso. Então, resolvi dividir este filme em quatro grandes atos, e comentar um pouco da história destas partes. Vamos lá?

Primeiro ato: O bombardeio

O grande trunfo deste filme, é nos apresentar a história pregressa do protagonista, que morre logo nos cinco minutos iniciais. Ao vê-lo abandonado na sarjeta, sem entender exatamente o que ele está fazendo com a lata em mãos, somos instigados a acompanhar a história que ele começará a nos contar. Quando a lata cai, e vemos o que parecem ser ossos, tudo fica ainda mais estranho. É a partir daí, que o filme vai te convidar a ver a vida de Seita, do jeito como ele a viu.

A começar pela vida dele, junto de sua irmã e mãe, enquanto seu pai luta pela Marinha imperial japonesa. Logo de cara, um bombardeio, que já mostra o quão difícil está sendo viver naqueles tempos.

Para ser franco, na primeira vez que eu vi este filme, eu não tinha ficado muito impactado com este início. Algo tinha que começar a dar errado, e o enredo teria que fazer isso cedo, já que não teria muito sentido contar uma história feliz no meio da segunda guerra mundial.

Porém, a forma como o Studio Ghibli mostra toda a destruição e pessoas mortas no local do ataque, estão além do que eu poderia esperar do estúdio. Não o subestimo, já que sei que ele pode produzir grandes e bonitas obras, mas violência não é algo que me vêm à mente quando eu penso em “Ghibli”, principalmente pelo fato de ainda não ter visto Princesa Mononoke (que eu já vou colocar na minha lista de must watch NOW) e outras obras do estúdio. Eu sei, eu sei, já coloquei todas na fila. Em algum momento, eu irei ver – e vamos conversar sobre eles.

A partir da morte da mãe do Seita e Setsuko, é que começamos a ver o quão desgraçada se tornará a vida dos dois, e temos noção do que podemos esperar encontra em “O Túmulo dos Vagalumes”.

O Tùmulo dos Vagalumes - Setsuko bate continência
Seita ainda acredita que o Japão, que tem o seu pai como marinheiro, está indo bem na guerra – e que se consagrará campeã.

Segundo ato: A casa da Tia

Agora chegamos a pessoa que eu mais detestei em toda a história. A tia deles é uma pessoa fria, apesar de ser possível compreender o que ela estava passando, tentando alimentar uma grande quantidade de pessoas em meio a um Japão que ia começando a ficar sem recursos, próximo ao final da guerra.

Você pode até me dizer que entende o lado dela, o que tem um fundo de verdade nisso, mas é incompreensível as constantes alfinetadas contra Seita, sobre ele ser um vagabundo e coisas do tipo.

Porém, o que ela esperava, numa economia em frangalhos e em uma cidade com constantes bombardeios? Ela diz, em certo momento, que ele deveria procurar alguma ocupação, como ir a escola. Em algum momento você viu ela tentar ajudá-lo com isto, entre uma sopa de arroz de cá e metade de um saco de arroz que ela conseguiu com as coisas dele, de cá?

Até a própria filha dela parece um pouco incomodada com isto, apesar de seu tom parecer te sido mais para uma defesa da mãe do que um questionamento sobre a situação. Não gosto de pensar muito sobre este ato do filme, apenas que é necessário notar que, no momento da partida de Seita e Setsuko, ela pareceu que, por um momento, iria reconsiderar ter os dois em sua casa. Mas, do que adiantaria, se tudo iria continuar do jeito que estava?

O Tùmulo dos Vagalumes - Seita dá balas à Setsuko
Enquanto ela tiver seus docinhos, ela não precisará pensar no que a rodeia.

Terceiro ato: Vivendo só

Aqui, um dos poucos momentos “legais” do filme, se é que há algo legal em meio há tanto sofrimento. Enquanto temos apenas uma ideia de que Setsuko tem algo de errado, é interessante ver a vida de ambos no abrigo abandonado.

É pesado de ver os dois tentando sobreviver, principalmente Seita, que tem que arrumar modos de conseguir alimento para si e para Setsuko, ao mesmo tempo que tem que manter um sorriso no rosto, para que Setsuko não tenha que pensar na situação em que vivem.

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É um ato pequeno, em meio a grandiosidade do filme, mas que acaba por nos fazer esquecer, por pelo menos um momento, todo o sofrimento que ambos sofrem. Isso, até o Seita descobrir que a Setsuko não se sente bem, e a história descarrilhar para o sofrimento absoluto, quando você descobre o que realmente significa “O Túmulo dos Vagalumes”, do título.

O Tùmulo dos Vagalumes - Setsuko doente
A partir deste momento, qualquer momento de minúscula felicidade que este filme possa ter mostrado é esquecido: Só resta a dor.

Quarto ato: O significado de “O Túmulo dos Vagalumes” e o adeus à Setsuko

Se tudo ia, até certo ponto, bem, acaba aqui. No memento que Setsuko diz a Seita que não se sente bem, tudo começa a desandar. Ele descobre que o Japão perdeu, que sua última âncora está morta, já que seu pai estava em combate, e cada vez mais não há como ele conseguir alimento para si, ao mesmo passo que Setsuko vai piorando de saúde, cada vez mais.

E, nesta segunda vez que eu assisti, assim como na primeira, foi difícil de ver. Enquanto Seita tentava fazer de tudo para que Setsuko se recuperasse, ela vai mostrando o avanço da doença, ao ter ainda mais vermelhidão no corpo, fraqueza e delírios.

No fim, o filme nos mostra a emocionante cena do funeral improvisado de Setsuko, com a música “Home Sweet Home”, de Amelita Galli-Curci, tocando ao fundo, dando-nos uma sensação de despedida amarga e ressentida por não terem feito algo de mais concreto pela menina, ao mesmo tempo que leva embora a última vontade de continuar vivo, de Seita. E, após isso, você acaba chegando a conclusão do que tinha naquela lata, e como ele chegou ao estado em que vimos logo no início do filme.


Um resumo do que é “O Túmulo dos Vagalumes”

Este filme, “O Túmulo dos Vagalumes”, foi baseado em um livro de Akiyuki Nosaka, lançado nos anos 1960. Ele também perdeu os pais na Segunda Guerra Mundial, mas o livro não é exatamente uma biografia, tento bastante diferenças entre a história que ele contou e a história que ele viveu.

Seita e Setsuko no trem
É a partir daqui que as coisas começarão a dar errado, no enredo do filme.

Em 1988, o filme foi adaptado por Isao Takahata, mestre de Hayao Miyazaki, para um filme no novato estúdio Ghibli, que até então só tinha lançado “O Castelo no Céu“, em 1985.

Vê-se, neste filme, que o Ghibli não estava para brincadeiras – e que se empanharia em contar grandes histórias. Não importa como eu comecei a ver o filme, eu o terminei chorando muito, por conta das injustiças sofridas pelos irmãos que apenas tentavam sobreviver em meio a um Japão arrasado pela Guerra e com sua economia em frangalhos.

Esta obra é uma síntese para o que de melhor o Studio Ghibli pode nos proporcionar e também uma síntese para as razões pelas quais eu continuei a ver animes até hoje. Esta foi a foi a melhor história que eu pude ver em anime.


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Publicado por Henrique

Estudante de jornalismo, apreciador da fina arte do moe e do ecchi artístico desde meados da década de 2010. No Tokyotopia, destila todo o seu (escasso) conhecimento sobre o assunto.