Desde o início do mês, vinhemos sendo bombardeados pela nova leva de animações japonesas, que estão chegando para nos fazer ficar mais viciados e nos levar a gastar rios de dinheiro com figures, light novels e mangás que, no fundo, no fundo, nem são tão interessantes assim. Já tivemos a apresentação e um ecchi onde, basicamente, toda a ação acontece dentro de uma academia, tivemos um anime onde garotas estão perdidas numa ilha deserta, uma mágica que não consegue fazer truques, um isekai muito ruim (e que eu vou comentar nos próximos dias), um outro isekai que não é tão ruim assim, outro isekai que me faz duvidar da sanidade dos japoneses… Eu já tinha começado a perder as esperanças de que algo realmente bom fosse aparecer. Felizmente percebi que eu estava errado, assim que eu terminei de assistir ao primeiro episódio de Cop Craft.

Basicamente, Cop Craft é um anime onde um portão mágico para outra dimensão aparece em algum lugar no mar, no meio do oceano aberto. De lá, saem seres que comecam a conviver com os humanos. O tempo passa e vamos parar em algum momento no futuro, onde essa interação já é algo comum, e onde a história realmente se desenvolve.

Você já deve ter visto isso antes, pois esse enredo não é novidade para ninguém. Porém, o que muda é como a história explora isso. E Cop Craft resolveu que iria fazer da forma mais adulta, e menos “otaku”, que eles podiam.

Cop Craft: Kei Matoba
Kei Matoba: Badass as fuck!

Sabem um anime numa cidade decadente, com tráfico de drogas, prostitutas, strip clubs, garotas bonitinhas, lolitas, elfos, fadas, em um visual mais bem trabalhado do que a animação genérica e comum que nos é mostrado, em uma cidade cheia de cor, típicamente… Americana?

Hey, America, how you doing?

Quando eu comecei a ligar os pontos, Cop Craft começou a ficar realmente interessante. Toda a ação se passa numa cidade litorânea, chamada “San Teresa”. Isso, por si só, não diz muito sobre a história em si, mas os elementos que compõem esta cidade chamam a atenção. O uniforme dos policiais é o preto, típico americano. Em uma cena, temos uma bandeira vermelha e azul com estrelas, muito semelhante à dos Estados Unidos. E, para completar, esta cidade com nome espanhol e cheia de informações escritas em inglês e com carros andando na mão francesa, tem problemas com gangues de mexicanos. Welcome to somewhere in California, my friend!

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Apesar de isso também não ser uma novidade, não é comum animes que se passem na América. Existem vários que se passam na França ou na Alemanha, mas que não costuma-se fugir disso. Vez ou outra temos algo que se passa na América, ou até mesmo no Brasil. Mas são tão poucos que, quando um aparece, chama logo a atenção.

It’s America, but…

Agora que o anime já deixou bem claro que toda a ação passa-se em um lugar que não é o Japão, como fazer uma ligação com o seu público consumidor? Bem, isso se dá pelo portão mágico para outro mundo. Se retirássemos esse elemento, sobraria algo que não parece voltado ao otaku comum. Muito adulto, muito mais real do que estamos acostumados a ver na animação japonesa. Para quebrar isso, o anime coloca… Elfas. E fadas. E outros seres.

A ligação com o público otaku acaba acontecendo pelo seres que saem daquele portão. Porém, principalmente, pela nova parceira de Kei, contra o crime: Tirana Exedirika. A dondoca de um império além-portão, que ~coincidentemente~ é uma lolita boa de briga. Crível, não?

Cop Craft: Tirana Exedirika
Tirana Exedirika, a ligação dessa história com a mística Otaku que conhecemos

Ficou bem claro, para mim, que a quebra de expectativas sobre aquele universo ficará por conta do que sai do portal. Sem isso, tudo o que poderia esperar ver seria um grande episódio animado de Cops. O que, comparado com a média dos animes que eu tenho visto por aí, não seria nada ruim.

Animação é ótima, mas Cop Craft é CGI?

Aqui está a minha grande questão sobre este primeiro episódio. Eu considerei a animação excelente. Porém, me chamou a atenção como foram trabalhados os reflexos de luz, nos ambientes. Tudo pareceu muito… Computadorizado?

Depois deste primeiro episódio, posso ficar mais tranquilo quanto a animação não ser ruim. Os movimentos são fluídos, as cores são boas e o design não parece um boneco mal modelado no Blender 3D.

Parece que teremos um anime em CGI com uma qualidade de animação superior ao que pudemos ver em Aoki Hagane no Arpeggio, único anime que me recordo ser para a televisão e que tenha feito um bom trabalho na animação computadorizada.

A direção é de Itagaki Shin, que dirigiu… Berserk (2016). Ok, agora estou com um pouco de medo do que pode sair deste anime. O design de personagens é de Murata Range, de Last Exile, e a história original é de Gatoh Shoji, de Full Metal Panic! (Que é um dos meus animes preferidos até hoje).


Apesar do ótimo primeiro episódio, ainda é um primeiro episódio. O MyAnimeList e a Wiki do AnimeNewsNetwork listam este anime tendo 12 episódios. Agora é esperar e ver o que estes episódios nos trarão. Eu torço para que seja boa coisa, e que a primeira impressão que o anime me passou não se perda mais à frente.

No final dessa temporada, eu trarei uma análise mais aprofundada sobre o anime. Por enquanto, estas foram minhas primeiras impressões.

Publicado por Henrique

Estudante de jornalismo, apreciador da fina arte do moe e do ecchi artístico desde meados da década de 2010. No Tokyotopia, destila todo o seu (escasso) conhecimento sobre o assunto.